Dez meses após a descoberta da cocaína crack, Diego Seolin, de 22 anos, não tem vergonha de continuar sua luta contra o vício químico dia após dia. É ele quem está determinado a tratar a doença e que tenta com força de vontade não ceder à tentação da dependência toda vez que tem uma nova idéia em uma clínica de reabilitação de drogas.

A primeira droga que Diego usou foi álcool, diz ele.

“Eu tinha 14 anos quando comecei a beber álcool, e estava bebendo com meus pais e amigos. Depois fui para a universidade à noite e eles saíram com maconha e cocaína, e dois anos depois era crack e eu estava usando por cerca de um ano e meio. Eu usei todas as drogas, mas preferi o crack”.

Diego compara o prazer de usar drogas com o prazer de ter sexo.

Ele diz que em seus sete anos de dependência química, ele nunca vendeu nada que não lhe pertencesse. Para manter o vício, Diego se livrou do carro em Verona por 750 Reais, seis celulares e quatro bicicletas.

“Gastei todo meu salário pelas horas que trabalhei, 1.600 Reais, em três dias”

Comprei fiado um dia e paguei no dia seguinte. “Durante o meu vício, eu tinha quatro empregos, todos relacionados a drogas. Trabalhei para um traficante de drogas para poder usar drogas”.

Antes de decidir enfrentar seu vício em drogas, Diego passou três dias trancado em uma casa onde usava crack.

“Após três dias de uso de crack, passei de 78 para 64 quilos. Eu não comi, não bebi água, fiquei trancado em uma casa só para fumar”.

Foi quando ele percebeu que precisava de ajuda, mas tinha medo de voltar para seus pais. Nessa época, Diego passou 15 dias na casa de seu irmão mais velho, que mora a poucas ruas de seus pais. Delonir Lourdes Pozenatte Ceollin, 58 anos, lembra que seu filho mais novo deixou a casa do irmão para ir ao dentista às 11 horas da manhã com R$ 20 no bolso.
“Ele se levantou de madrugada e não apareceu na casa de seu irmão, então fomos procurá-lo e o encontramos no bosque da Rua Agulhas Negras. Se nosso filho não estivesse em casa, não sabíamos o que esperar, se ele apareceria em um lugar morto ou na cadeia”.

“Eu preferia a ajuda de um amigo da família e não a dos meus pais”.

Após o filho mais novo concordar com um tratamento para seu vício químico, Delonir e seu marido se propuseram a encontrar uma comunidade terapêutica. Os dois primeiros meses na clínica de recuperação foram os mais difíceis. Esta é a fase de desintoxicação.
Diego diz que muitas pessoas, como ele, não admitem sua dependência de produtos químicos.

“Assisti a uma reportagem de televisão no domingo sobre a trilha da maconha em São Paulo, e um homem, agora com 30 anos, disse que usava a droga desde os 16 anos.

Na comunidade terapêutica havia tempo para todos os tipos de atividades.

“Eu tive tempo para comer, tomar banho e lavar minhas roupas”.

Alguns pacientes trabalhavam na lavanderia, outros na limpeza da casa, cozinhando, ordenhando animais. Em seu tempo livre eles poderiam jogar bilhar, ir ao ginásio, pescar, jogar futebol ou voleibol. Diego gostava de trabalhar na cozinha e jogar snooker. Após consultar psicólogos e psiquiatras, o menino descobriu que as drogas também eram uma forma de fazer com que seus pais lhe dessem a mesma atenção que davam ao seu irmão mais novo.

“Tive uma convulsão, tudo o que comi estava vomitando. Fui a um psiquiatra, tomei medicação para ficar calmo. É um caminho difícil”.

Diego recebeu permissão para deixar a comunidade em agosto. Ele retornou ao trabalho que tinha realizado antes de sua admissão, mas pediu para ser dispensado.

“O vício não pode ser curado, ele deve ser tratado”.

No dia da entrevista, Diego lembrou que estava limpo há dez meses e 22 dias. Ele não tem ilusões e sabe que o vício químico estará com ele pelo resto de sua vida; a luta para ficar limpo é eterna, mas ele está determinado a ficar longe das drogas. “O vício químico não pode ser curado, há um tratamento. Há muitas pessoas que conseguem administrar por conta própria, mas quando usam drogas, não pensam bem no assunto. Acaba com a sua família e o seu próprio corpo”.

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